Mulher Carioca


(Fotografias: Victor Fernandes)
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MULHER CARIOCA
(André L. Soares)
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Soltou cabelos ao vento, em Copacabana,...
vestida de verão, nas cores de Ipanema;
sorveu raios de sol, pela pele morena,...
brilhando no calçadão, por toda semana.
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Faiscando juventude, olhos soltando chamas,
pernas lindas, coxas grossas, na saia pequena,...
a voz suave da ainda menina, quase ingênua,
entoava belos sonhos de glamour e fama.
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Quem sabe algum poeta lhe cantasse a beleza;
pensando nisso, olha pro Redentor e reza,
ajusta a roupa e o passo, acerta o rebolado.
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Sensual, displicente (parece até que é sábado!),
com um sorriso que afirma que a vida é bela,
vai deslumbrando a todos que passam por ela.
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Soneto da Total Entrega


(Nude on Beach - Alfred Gockel)
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SONETO DA TOTAL ENTREGA
(André L. Soares)
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Tendo comprometido o coração
deu-se além, de modo mais complexo,
a saciar-lhe o peito, o ego, o gosto e o sexo,
sem haver se arrependido, então.
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Contudo, quanto mais ela se dava
de novo, mais queria inda se entregar,
como, provando, viciasse o paladar,
escravizando a alma, a mente e a palavra.
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E assim doou o pensamento após, até
face a veemência com que partia o corpo,
a ponto mesmo de lhe faltar o ar também,...
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matando a própria ambição, tal um aborto,
querendo ser somente a sua mulher,...
agora e sempre, na hora do amor, amém!
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Aos Trancos e Barrancos


(Madame De Pompadour - François Boucher)
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AOS TRANCOS E BARRANCOS
(Eloah Borda)
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Meu coração é um louco, inconseqüente,
não tem noção de tempo nem de idade,
– se apaixona com tal intensidade,
como se fora ainda adolescente!
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Minha razão, coitada, certamente,
de tudo faz pra impor sua vontade.
Que vão intento – controlar quem há de,
as emoções de um coração ardente?!
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Se a razão diz: – Já tens cabelos brancos!
Já o coração me grita, a cada pulso:
– A natureza para amar me fez!
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E assim eu vou, aos trancos e barrancos,
a debater-me entre o bom senso insulso,
e a deliciosa e louca insensatez...
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Para ler mais poemas de Eloah Borda, visite:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=5534844

Primeiro e Último Soneto


(Liberty Leading the People - Eugene Delacroix)
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PRIMEIRO E ÚLTIMO SONETO

(Pablo Ramos)

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Criva a bala e logo o peito chora
o corpo clama o solo em tombo atroz
melhor sono que noção da hora
na escuridão que já consome a voz.

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O erro vão em que já não tropeço
é a esperança de salvar-me a vida
aquele irmão que se diz réu-confesso
por ter-me feito esta mortal ferida.

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Sem desonrar ou cumprir compromisso
me entrego à relva, há muito inexistente
pois já não tenho nada com isso

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desertando a condição de gente
despejado às garras do sumiço
torna ao mar a água desta enchente.

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Para ler mais Pablo Ramos: http://www.pabloramos.com.br/blogico.asp

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Contra o Plágio na Blogofera


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CONTRA O PLÁGIO NA BLOGOSFERA
(André L. Soares – 21.02.2008 – Guarapari/ES)
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Em virtude de meu envolvimento com a literatura amadora, em que constatei inúmeros plágios, de textos meus e de outros, acredito poder contribuir de forma positiva ao debate. A experiência tem mostrado que, em geral, quando o plágio é descoberto, assim que vão surgindo as provas, o plagiador vai também ‘sumindo’ da web, apagando perfis de Orkut, postagens e blogs onde se possa comprovar o crime.
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No entanto, algumas vezes, não muitas, o plagiador é mais ousado: ‘bate o pé’ e tenta, de todo modo, afirma-se como autor. E isso não vale só para escritores desconhecidos. Acreditem, já houve quem tentou convencer que era autor de um poema que, na íntegra, era idêntico a um outro texto de ninguém menos que J. G. de Araújo Jorge, um dos maiores poetas brasileiros do século XX.
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Tratava-se de um poema com, aproximadamente, vinte versos, contendo, ao todo, cerca de duzentas palavras. Ainda assim, o plagiador – uma mulher – insistia que desconhecia o texto original e que o fato de haver outro exatamente igual era mera coincidência. Porém, do ponto de vista lógico, isso é humanamente impossível.
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Ao se escrever um texto muita coisa está em jogo. Isso porque o conhecimento humano se forma a partir de duas fontes básicas: a) a educação formal, advinda das instituições como escola e igreja, por exemplo – onde se aprende a escrever, contar e entender conceitos elementares inerentes às ciências e à filosofia; e, b) educação empírica, por meio da qual são absorvidas informações gerais, na informalidade cotidiana, sem que se perceba.
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Daí que, para muitos, é possível lembrar o dia exato em que aprendeu que a fórmula da água é H2O (educação formal). No entanto, não creio que alguém se lembre quando aprendeu, por exemplo, o que é chão, o que é parede, ou o significado das palavras ‘não’ e ‘beleza’. Porque isso se aprende pela vivência.
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É essa combinação de saber formal e saber empírico que torna impossível que duas pessoas escrevam o mesmo texto.
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Ao longo da vida, duas pessoas até podem receber a mesma dose de educação formal. Mas cada uma absorverá de modo diferente. Por exemplo, uma se destacará em cálculos; outra, em história; e, mesmo que ambas sejam boas em português, uma sentirá mais facilidade para entender certos aspectos da gramática que a outra. Ou seja, sempre haverá diferenças no aprendizado.
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No que tange ao saber empírico, as diferenças são ainda maiores. O saber empírico constrói as noções subjetivas. Assim, se duas pessoas que têm a mesma formação acadêmica lêem, por exemplo, ‘O Capital’ (Karl Marx), as interpretações da obra variarão de acordo com outras leituras que cada um tenha feito acerca de política, direito, filosofia, bem como em função do que disseram seus pais acerca do socialismo e guerra-fria; dos lugares visitados ao longo da vida, ou ainda, por força da religião, entre outros inúmeros fatores.
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Desse modo distinto que cada pessoa tem de entender o mundo, surge a forma única de cada ser humano se expressar.
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No caso da elaboração de textos, tudo isso tem importância e, ainda mais, o domínio que cada um tenha da linguagem culta, das gírias, da capacidade individual de estruturar metáforas e jogar com as palavras, do conhecimento sobre estruturas e estilos de redação.
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Além isso, ainda há o fator motivador, comumente chamado de inspiração, que nasce, de um lado, por decorrência do conhecimento acumulado (educação formal somada à vivência pessoal) e, de outro, por força de eventos e sentimentos momentâneos imprevisíveis, tais como o amor e o ódio.
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A título ilustrativo, vale lembrar o caso do cantor e poeta Renato Teixeira. Em entrevista ao Programa do Jô, ele afirmou que, quando estava compondo ‘Romaria’, uma de suas canções mais famosas, imortalizada na voz de Elis Regina, sentiu preguiça em determinado momento e decidiu acabar a canção de qualquer jeito. Daí o último verso, que diz: ‘seu olhar, seu olhar, seu olhar...’.
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Então, para que alguém também pudesse compor aquela mesma canção do Renato Teixeira, seria preciso, no mínimo, ter a mesma vivência no meio rural brasileiro, com forte influência do catolicismo tradicional, conhecer a cultura das festas cristãs, possuir basicamente o mesmo conjunto vocabulário, e, ainda por cima, ao escrever o poema, exatamente na hora de compor o verso final, sentir a mesma preguiça que se abateu sobre esse autor, escolhendo também o ‘olhar’ como referência última referência metafórica, ao invés de outro verbo qualquer da primeira terminação (‘ar’).
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Diante disso, será mesmo possível que duas pessoas já tenham escrito dois textos exatamente iguais? Eu não creio.
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Também escrevi sobre plágio em:
Pó(ética) HeréticaRaiz de CemGritos VerticaisNatureza PoéticaO Poema de Cada Dia.

À Alegria


(Columbine - Isaac Maimon)
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À ALEGRIA
(Guilherme Belmont)
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Um tempero para dar gosto à alegria,
sem desespero que ela, não tarda, já vem.
Então chega tão bela quanto antes dizia;
é o Éden, o Inferno, um prazer do Além.
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Eu busco em seu cheiro, quais mistérios contém.
E seu incenso, se torcendo de agonia,
mil outros enigmas esconde também,
igual a uma esfinge que nos desafia.
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“Decifra-me! Ou te mato!” ela me diz,
porém seus pensamentos, prenhes de loucura,
vertem vinho como um sangrar de mil rubis.
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Este sangue tem um feitiço sacro-santo,
como daquelas garrafas cuja água pura,
jorrou, derramou e terminou sem espanto.
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Leia mais
Guilherme Belmont em: Recanto das Letras

Xadrez


(Chaos and Order - M. L. Walker)
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XADREZ
(André L. Soares)
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Para a frente, primeiro, movem-se os peões,...
aberturas lógicas, saídas consagradas,
preparam-se, assim, as fantásticas jogadas,...
na oitava casa aspiram obter promoções.
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Em apoio, há as torres, dobradas, perigosas;
os cavalos, ao centro, ameaçam xeque duplo;
há bispos que arquitetam sem qualquer escrúpulo;
damas sempre fortes, hostis e poderosas.
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Perseguido, o rei vulnerável se debate,...
contra ele estratégias, gambitos, armadilhas
e o tempo implacável sufoca o tabuleiro.
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Vida em preto e branco a mostrar-se por inteiro,
tantas ambições, muitos lances, duras trilhas
e a morte, de 'an passant', a impor o xeque-mate.
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Noite de Tormenta


(Sleeping Boy - Nikifor Stepanovich Krilov)
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NOITE DE TORMENTA
(Jenário de Fátima)
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É noite de tormenta, o vento urra,
como um felino preso, engaiolado
se esgueira pelas frestas do telhado.
Rebate nas vidraças, a porta empurra.
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O vento é bruto e mau, a terra curra,
de um jeito feroz, descontrolado,
de frente, atrás, de lado, espanca esmurra
(Eolo está feroz, está zangado!).
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Em noites de tormenta, noite assim,
uma mão vinha outrora com carinho,
calma e meigamente repousar em mim.
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Agora eu apalpo, tateio, em vão procuro.
Mas eu não encontro nada neste escuro
...comigo resta a dor de estar sozinho.
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