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Homeopatia

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

(Foto: André L. Soares)
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HOMEOPATIA
(André L. Soares)
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Não vou curar as partes do seu corpo,
posto que ser humano é ser inteiro;...
porque o remédio, pra ser verdadeiro
tem que contar o ser pelo seu todo.
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Tratar somente as partes é um engodo,
se não sei qual sofreu do mal primeiro:
– ao invés de dar à dor um cativeiro,...
melhor é dar a tudo um bom reforço.
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E se tal dose deixa forte o são,...
quando aplicada em cota comedida
no ser que sofre, ao certo fará bem.
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Assim, não resta à doença qualquer vão,...
tampouco a cura torna-se agressiva,
pois não faz mal a outro órgão, mais além.
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Soneto vencedor do III Concurso de Poesias do Instituto Hahnmanniano do Brasil (IHB), em agosto de 2012.
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Metafísica em Xeque

segunda-feira, 7 de março de 2011

(Foto: André L. Soares)
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METAFÍSICA EM XEQUE
(André L. Soares)
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Penso na vida e vejo estrada larga,
farta de musgo, em chão todo de pedras,
na qual se correm léguas e mais léguas,
para, no fim, servir de pasto às larvas.
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E se, pra alguns, as horas passam calmas,
muitos padecem sós, lutando às cegas,
atrapalhados com as próprias pernas,
presos a um ponto inerte da jornada.
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Nessa vereda reta, rumo ao nada
resta-nos crer nos sonhos e nos mitos
(mágica, sorte, fé, conto de fadas);...
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depositando, desde muito cedo,
tanta esperança em deuses infinitos,
pra não morrermos loucos e com medo.
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Para Mercedes Sosa

segunda-feira, 5 de outubro de 2009
(Foto: André L. Soares)
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PARA MERCEDES SOSA
(André L. Soares)
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Trouxeste luz, ao sul do continente
e, de repente, nós,... povos estanques,
éramos bravos, bons, belos gigantes
e muito maior o amor por nossa gente.
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Soltaste a voz, quebrando a dor silente,
então nos vimos, bem melhor que antes:
milhões de irmãos, somando suor e sangue,
atrás do sonho,... passo firme, em frente.
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Foste o clamor dos pobres deste solo
e também diva, lírica da ética,...
estrela-guia dos poetas mais audazes.
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Hoje partiste, sem culpa e sem dolo,
pássaro livre,... flor e mãe da América,
agora, enfim, irás cantar pra deuses!
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Soneto em Dor Maior

sábado, 5 de setembro de 2009

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SONETO EM DOR MAIOR
(Patrícia Neme)
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O amor que eu me desejo, tem cheiro de alvorada,
tem cor de lua cheia, nas brisas de jasmim...
Amor que me incendeia nos sons da madrugada
e tece com estrelas, os sonhos que há em mim.
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O amor que eu tanto espero, tem boca apaixonada,
seu coração galopa por meu começo e fim;
me entrega seus silêncios, su’alma desnudada...
É beija-flor imerso, na flor do meu jardim!
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O amor dos meus cantares, de rimas passionais,
é puro qual o orvalho, tão vasto quanto o mar,
não anda por atalhos, seu rumo é só me amar.
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Que venha em vôo breve, dos céus dos imortais,
e então a vida eu sinta, com todo o seu ardor...
E olvide a Dor Maior, que jurei, fosse o amor!
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A Redenção de Narciso

sexta-feira, 24 de julho de 2009

(Foto: André L. Soares)
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A REDENÇÃO DE NARCISO
(André L. Soares)
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Tentei tornar mais forte o coração,
fazê-lo solo agreste, embrutecido,
que resistisse a tudo, enquanto vivo,
preso à certeza pobre da razão.
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Assim buscando, fiz-me solidão,
somente tendo em mim gentil abrigo.
Pensava ser o muito que preciso;...
até que, sábia, a vida disse: – Não!
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E eu sucumbi à graça do sorriso;
pus meu destino incerto nas tuas mãos;
provei do amor
o gosto era perfeito.
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Agora vejo um mundo mais bonito:
não quero nada menos que a paixão;
nem busco o vil carinho dos espelhos.
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